Stick Fruit – Sabor Melancia (Kiuti, Brasil)

5 nov

Após ser enganado na “feira” da Oscar Freire, eu não desisti de comprar um docinho em São Paulo. A oportunidade surgiu quando eu estava subindo a famosa e mal afamada R. Augusta. Deparei-me com aquelas lojinhas que vendem todos os tipos de guloseimas contrabandeadas, geralmente em pacotes de 1 trilhão de unidades. Como eu não queria comer 1 trilhão de vezes uma bala que, possivelmente, iria ser bem ruim, decidi comprar uma Stick Fruit de melancia, que cintilava ao lado do caixa. Eu já começo não entendendo o nome da bala. Por que colocar um nome em inglês para uma coisa tão singela, indiferente e ruim? Sim, ela é uma bala ruim. Uma pena, porque eu acho a melancia uma fruta tão bacana, tão verdadeira, que é um pecado alguém dizer que esse quadrado rosa é de melancia. Essa porcaria é de indústria. Tem gosto de indústria, de coisa artificial. Mas o primeiro gosto que veio à minha boca foi o de uma bala que eu comia quando era pequeno: a Zazuage de melão, que vinha com tatuagem. Melão é diferente de melancia, mas a galera da Kiuti não sacou isso. O lema deles é “Inovando com qualidade”. A parte do inovando eu até entendi, mas a da qualidade… Eu fiquei curioso para saber se os outros sabores também têm gostos de frutas diferentes. Talvez a Stick Fruit de morango tenha sabor de pêssego, ou mesmo de groselha. Agora é tarde para eu comprar as outras balas. Devia suspeitar que tinha em mãos algo interessante e comprar logo todos os sabores para fazer um review geral. De qualquer forma, é uma bala bem pobre e não merece muita consideração. Eu esperava ter encontrado coisa melhor em São Paulo!

Nota: 1

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O Review perdido: A maldita “feira” da Oscar Freire

3 nov

O que é uma feira? Essa é a pergunta que fiz a mim mesmo no domingo, dia 31 de outubro. É difícil definir bem o que é uma feira. De modo geral, a feira é um lugar onde as pessoas vão comprar comida, ou simplesmente fofocar. Nela devemos encontrar, pelo menos, a barraca do pastel, a da fruta, a dos legumes, a dos peixes, a das carnes e a dos doces + brinquedos vagabundos. Pois é, na concepção clássica, essa é a verdadeira feira. Pois estava eu com um amigo em um passeio por São Paulo. Dia de sol, passarinho cantando, barriga roncando, foi quando avistamos a grandiosa feira da R. Oscar Freire. Obviamente, um pensamento instantâneo surgiu na cabeça dos famigerados comedores de qualquer-coisa: PASTEL!!! Paramos o carro, descemos e pedimos nossos pastéis. Eu gosto do tradicional pastel de queijo. Ele é bom. Bom demais. Quando degustava meu mar de óleo, pensei: “Puxa, esse é o lugar para achar uma guloseima bem divertida para fazer um review”. Acabando o pastel, fomos atrás da famosa barraquinha de porcarias, aquela que os pais geralmente preferem passar correndo para que os filhos não tenham tempo de pedir um chupa-chups ou um Power Ranger falsificado. A feira era grande. Fomos andando. Muitas barracas. Muitos legumes, verduras, frutas, peixes, carnes, um corintiano tentando vender maracujá (vide foto), uma bela barraca de queijos, mais uma barraca de pastel e… acabou!!! Cadê a barraca das guloseimas?!?! Não tinha!!!!! Não tinha uma mísera barraquinha de porcarias na gigantesca feira da Oscar Freire!!! Eu só conseguia sentir o cheiro de decepção no ar, pois tinha sido desumanamente enganado por um monte de vendedores amadores que resolveram se juntar e formar um comitê de incompetência! Como podem não colocar uma singular barraca de doces?? No fundo, eu acredito que isso talvez seja culpa da modernidade. Acho que as crianças do século XXI, quando vão na feira, preferem pedir aos pais um jogo de video-game pirata ou um Dvd mais falso que nota de 3 reais. Constatei isso porque, obviamente, as barraquinhas da ilegalidade estavam lá, lucrando sem parar, do lado dos ovos caipiras e dos tomates. Não que eu ache chato comprar alguns itens baratos, mas o problema é a substituição das guloseimas. Isso realmente me chateia. São nas verdadeiras feiras que você pode encontrar aquele docinho nunca antes comido, aquele chocolatinho desconhecido, renegado ao canto ensolarado e abafado de uma barraquinha de confeitos. Depois dessa experiência horrível, eu só posso desejar que uma bela Picagoma de pepino gigante caia sobre a pseudofeira da Oscar Freire.

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Sweet And Sour Chewy Candy (De La Rosa, México)

28 out

É sempre um desprazer experimentar uma novidade mexicana. A Sweet and Sour da De La Rosa não fica para trás de suas companheiras. A diferença entre essa e as outras, é que dessa vez a bala era macia. A grande tentativa dessa oprimida guerreira é ser uma 7 Belo da América Central, mas só pelo bicho verde da embalagem já podemos notar que há um longo caminho a percorrer. Se sai fogo da boca dessa criatura, da sua boca vai sair a Sweet and Sour. Quando você se depara com a bala, percebe que vai comer uma lombriga com catapora, isso se a bala não estiver mais líquida do que sólida. Na hora que eu mastiguei essa divindade da pimenta, percebi que comer massinha deve ser gostoso. Eu desconfio que os mexicanos, além de serem resistentes, tem um senso de humor fora do comum. Deve ser tipo uma piadinha oferecer uma bala para um colega. “Oi! Como vai? Gostaria de uma Picagoma?”, “Hum! Que delícia! Duas seriam melhor ainda!”. Mas voltando à Sweet, eu tenho que ser justo com ela. De todas as mexicanas que eu comi, ela foi a mais parecida com comida. Reza a lenda que existe uma luz no fim do túnel, brilhando a esperança de comer uma balinha aceitável feita no México. Mas isso é só lenda. Resta para nós a parte da reza.

Nota: -5

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Fruit-tella – Sabor uva (Perfetti Van Melle, Brasil)

23 out

Todo mundo já deve ter comido uma Fruit-tella. Talvez não a de uva, mas uma de morango ou caramelo. Eu nunca tinha experimentado esse sabor, então resolvi testar.  A aparência da bala é muito bonita e se parece com aquele caracol de hipnose. Apesar disso, não acho que seja uma bala hipnotizante. É óbvio que me arrependo de não ter escolhido uma Fruit-tella de caramelo para fazer um review, mas essa bala é o ápice da alegria depois de uma rodada suicida de porcarias mexicanas. O mais engraçado é como o sabor dela se autera nos primeiros segundos em sua boca. Nos primeiros 5 segundos, eu tive a certeza de que colocavam até o cabinho do cacho de uva na receita da bala, porque me veio na boca um gosto enganador de folha-de-uva com cabinho-de-cacho-de-uva que me fez parecer estar comendo uma natureza viva, seja lá o que isso represente. Depois, no entanto, percebi que o que realmente colocavam na receita era orégano. Sim! Após contar uns 5-6 segundos com a bala na boca, percebi que estava a saborear algo peculiar. Era um gosto que não me era estranho. Quando me dei conta, fiquei espantado: eu estava comendo um chancliche!!! O impossível, de repente, se tornou realidade. Eu posso estar louco, mas um amigo degustador concordou veementemente com essa conclusão bizarra. Para quem não sabe, chancliche é um queijo árabe. A grande descoberta me alegrou muito, pois com cerca de 2 reais agora é possível comer um belo queijo. Isso não tira os poucos méritos da Fruit-tella de uva como um doce, porque ela não deixa de ser uma bala decente. É lógico que jamais escolherei esse sabor novamente, mas depois de uns 15 segundos, ela até que se torna uma balinha de uva aceitável. Não dá para desrespeitar a coitada.

Nota: 4

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Turrón y Maní (Arcor, Argentina)

22 out

Vamos a mais um teste. Dessa vez eu resolvi fugir das amadas balinhas mexicanas e me arrisquei em um torrone dos hermanos, fabricado pela Arcor. Já é sabido que os argentinos sempre gostaram de tentar parecer o máximo possível com os europeus, comprando muitas coisas importadas de lá e buscando um padrão de vida além de suas condições. E ocorre um grande problema: eles compram jóias e vendem doces. De partida, já podemos ver que desse jeito eles vão entrar pelo ralo. Para piorar, se o que eles tentam vender é um torrone completamente murcho e insosso, não é de se assustar se em breve observarmos eles sendo colonizados pela Ilha de Páscoa. O Turrón y Maní promete uma mistura de waffle com amendoim, mas quando dei a primeira mordida percebi um misto de humilhação e incompetência. O pobre doce tentou ser simpático com sua embalagem vermelha, mas seu sabor é um grande mistério, porque na verdade não existe. Fica difícil criticar um pedaço de massinha sem gosto. Na verdade, não sei nem mesmo se isso é um doce. Sabe aquela pessoa do seu trabalho ou da sua sala que é extremamente inútil, cuja existência você jamais percebe? Essa pessoa é um torrone Arcor. Não dá para fazer amizade com um “doce” desses. Eu espero que esse Turrón seja esquecido eternamente e colocado em desuso por todas as pessoas desse planeta. Se é isso que os argentinos comem na sobremesa ou no meio da tarde, eu amaldiçoo eternamente esses ignóbeis cidadãos. Mais uma vez, dei azar.

Nota: 1

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Chili Bonchas – Sabor abacaxi (Dulces Karla, México)

20 out

Ai vai mais uma deliciosa bala mexicana. A Chili Bonchas sabor abacaxi é produzida pela Dulces Karla. Isso te lembra alguma coisa? Exatamente. Ela é a irmã da nossa querida Dulces Vero, aquela mesmo, que produz o mais bestial dos elementos terrestres. Mais uma vez, vale a pena uma rápida visita no site da empresa, para você se deliciar olhando alguns dos mais idiossincráticos e temíveis doces do mercado. É óbvio que experimentar uma bala mexicana já é, por si só, um desafio, mas já começo a me acostumar com essa prática desagradável. A Chili Bonchas sabor abacaxi tenta ser simpática em seu aspecto, mas você sabe que por detrás daquela face infantil se esconde um demônio selvagem. Sem me iludir, fui logo experimentando a balinha e, rapidamente, desvendando seus segredos. Os primeiros sabores me lembram daquelas balas toscas que você tem certeza que foram feitas por uma indústria caseira amadora. Sua camada externa é de um doce que lembra uma infância pobre. Quando você morde a Boncha, percebe que toda a desgraça e maldição de uma bala mexicana estão lá dentro e, cada vez que você chega mais perto do seu núcleo, também chega mais perto de um possível vômito. No momento em que sobrou apenas uma pequena esfera na minha boca já dormente, tive a sensação de estar comendo um Cheetos bolinha de queijo jogado em um mar de pimenta. O pior de tudo, meus caros, é depois. A lembrança de uma Chili Boncha talvez seja um dos piores pesadelos que te persegue ao longo da sua vida. Dá-lhe México!

Nota: -10

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Picagomas – Sabor Pepino (Dulces Vero, México)

19 out

Esse primeiro review é, sem dúvida, um tanto quanto especial. Foi por causa dessa inofensiva balinha que tive a idéia de realizar esse serviço de utilidade pública e alertar as pessoas sobre as maravilhas escondidas nos pequenos doces. Uma Picagoma sabor pepino, para começo de conversa, não entra em nenhuma categoria possível que utilizaremos daqui para frente. Ela é única. Considero-a rainha das guloseimas mais terrivelmente incomíveis da Terra. Suspeito que é, na verdade, uma relíquia sagrada dos adoradores de satã. Desde o seu nome incauto, passando pelo aspecto irrepreensivelmente horrendo até seu cheiro de pepino estragado, defumado, assado e, posteriormente, jogado às traças, ela se destaca entre seus semelhantes (acredite, ela tem semelhantes!). É fato que, dentre dez pessoas que comem essa preciosidade, onze afirmam que jamais comeram coisa pior. A Picagoma de pepino traz consigo o feitiço maligno do ódio e da ojeriza.  Mastigar e engolir uma Picagoma inteira é um feito para poucos. Consta, em alguns meios obscuros, que quem consegue realizar essa proeza adquire o poder da imortalidade. Talvez seja por isso que os mexicanos são tão resistentes. Aliás, existem mexicanos que expressam um amor anormal por Picagomas, o que é algo extremamente incompreensível para um mortal com o mínimo de sanidade. Até o site da Dulces Vero (empresa fabricante) é assustador, com uma música demoníaca e um conceito de “Energía Divertida” intragável. Enfim, essa bola marrom é o que de pior existe de guloseima no mundo. Fuja!

Nota: A pior possível e impossível.

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